A Vez dos Pega

Luiz Haddad - Presidente da ABCJPêga

Luiz Haddad - Presidente da ABCJPêga

Investimentos em genética trouxeram valorização e a raça nunca teve cotação tão alta. Exemplares são vendidos por quase R$ 100 mil.

Proprietário desde 1985 do Haras Tarumã, localizado em Guaraciaba, na Zona da Mata Mineira, Luiz Felipe Haddad é atualmente Presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Jumento Pêga. Iniciou na ABCJPêga na gestão do então Presidente Márcio Campos, de 2001 a 2004, no cargo de tesoureiro. Ainda em 2004, tomou posse da entidade, e hoje está no primeira ano do segundo mandato, que expira em 2010.

Empresário dos setores têxtil e alimentício, (restaurantes) e criador de pássaros, Haddad preserva o jeito mineiro de ser. De fala mansa e pausada, nesta entrevista Haddad fala de seus quatro anos na Associação, no avanço na raça – incluindo muares -, do mercado e dos projetos futuros. O atual Presidente reconhece os trabalho realizado pelo seus antecessores como fundamental para o processo evolutivo da entidade, que, segundo ele, vive um dos melhores momentos da história. “Jumento, mulas e burros nunca tiveram tão em evidência no seguimento da equídeocultura”, avalia ele, que acredita ter conquistado resultados positivos para chegar a essa situação.

Para Haddad, os fatores que mudaram o panorama e que deram visibilidade aos animais que a Associação representa foram a idealização do Leilão dos Associados da ABCJPêga e as parcerias que vem surgindo com associações de cavalos, como por exemplo de Mangalarga Machador e a Campolina. Parceria que ele espera intensificar com outras raças, antes de concluir seu mandato. Confira!

Como está a ABCJPêga em relação ao número de sócios e de animais registrados?

Temos aproximadamente 300 sócios contribuintes, que são criadores de jumentos, e cerca de mil usuários, ou seja, criadores de muares.

Qual leitura faz dos quatro anos frente à associação e sobre a evolução da zootecnia?

Estamos dando continuidade à gestão de Márcio Campos. Acho que tanto a entidade quanto os animais representados deram uma boa ‘alavancada’ nestes quatro anos. Atribuo isso ao profissionalismo dos criadores, que passaram a selecionar mais criteriosamente seus produtos. No caso específico de muares, os cruzamentos já não são mais feitos com quaisquer éguas como se fazia anos atrás. Hoje, o criador tem a preocupação de escolher a dedo uma boa égua para colocar com um bom jumento. Percebo também que o Leilão dos Associados foi um divisor de águas para todos, porque deu a chance a vários criadores, após passarem pelo crivo técnico, poderem colocar seus produtos neste leilão. O reconhecimento do registro de muares pelo Ministério da Agricultura Pesca e Abastecimento, que solicitei e foi contemplado a cerca de três anos, também foi importante e deu maior credibilidade.

Como o senhor percebe hoje o mercado de Jumento e Muares?

Este mercado é extraordinário, mesmo porque, abrange vários setores, de animais de tração, a animais de apartação de gados, à lida diária da fazenda, provas funcionais, esporte curso de marchas e para realização de cavalgadas. No topo da pirâmide está o outro mercado, o da seleção genética. Hoje, a cobertura de jumentos são um bom mercado. Mas o que impressiona é a preocupação dos criadores vêm tendo para melhorar seus produtos com base no “padrão racial”. Tenho constado que grande procura por jumentos porém não está fácil de achar. Quem tem está mais preocupado com o seu trabalho de melhoramento genético e não se dispõem em vender. Este perfil do novo criador só mudou de alguns anos para cá. Hoje, um bom jumento vale um bom dinheiro. Antes, era sub-valorizado. O mercado naturalmente incumbiu de pôr o preço mais justo e real para os bons jumentos.

O que falta para que a criação de jumentos tenha uma expansão maior?

Estamos divulgando as qualidades e características destes animais. Temos promovidos leilões e concurso de marcha. O pecuarista já descobriu que uma boa mula é um animal dócil, de boa marcha e resistência. Acho que estamos no caminho certo e com menos obstáculos.

Geograficamente, como se desenha a expansão destes produtos no Brasil?

Diria que no Sudeste, principalmente Minas, tem o maior plantel de produtos. São Paulo tem tido um crescimento acentuado nos últimos anos. A Bahia também é um pólo na criação. Teve uma recaída, mas está retornando. A preocupação no Sudeste é maior com a seleção e genética. Já o Centro-Oeste é franco comprador de muares. O mesmo acontece com o Pará e Acre, que estão entrando agora.

Em que situação se encontra hoje a Associação?

Numa boa situação. Com diversos registros de animais entrando, com as cotas em dia. Enfim, a fase é boa, inclusive com perspectivas de novos projetos.

Quais os eventos a associação realizará até o fechamento de 2008?

Teremos oficialmente a Copa Brasileira de Marcha em Vitória (ES), um evento realizado em conjunto com a raça Campolina, em Belo Horizonte, e a finalíssima da Copa, que acontecerá em novembro, além da 6º edição do Leilão dos Associados, programado para o dia 7 de novembro.

Quando termina o seu mandato e o que gostaria que se concretizasse até a sua saída?

Termina em 2010. O que mais desejo antes de terminá-lo é que consigamos fechar mais parcerias com outras raças para o registro de muares. Atualmente, esta parceria já existe com a Campolina e Mangalarga Marchador, para formação, respectivamente do “Pêca” e “Pêma”. Nosso objetivo é estender para o Quarto de Milha, Árabe, Crioulo, Mangalarga e Pampa. Almejamos hoje muares que possam ser utilizados, não só em concursos de marcha, mas, também, para o esporte, para as provas funcionais e, por que não, de pelagens exóticas, que tem mercado certo.

Créditos matéria e foto: Revista Horse